sexta-feira, 26 de março de 2010


Ontem no caminho pro trabalho após o almoço, me deparei com uma “bonita” cena.
Entre aspas, pois se tratava de uma família vestida de pobreza (o que naturalmente estamos condicionados a relacionar com tristeza), porém com um semblante muito feliz. Duas crianças, mãe e pai no sinal... Onde todos os dias têm vários pedintes, entre outros que lavam os vidros dos carros em troco de alguma moeda. Mas o pai num gesto de carinho com a criança ainda de colo, um sorriso e um toque sincero, gesto que muitos pais de classe média, ou alta, muitas vezes são incapazes de ter com seus filhos. Realmente a cena me fez parar por alguns minutos e pensar, o quanto temos sorte em não estar naquelas condições, estamos lá dentro dos nossos confortáveis carros fechados num ar condicionado, pra nem mesmo nos incomodar com o calor, e muitas vezes mesmo diante de uma boa situação não expressamos nosso carinho para com o próximo. Dirigimos mudos sem desviar por um segundo se quer nossa atenção. Vamos nos deitar mudos. Almoçamos mudos. Jantamos mudos. Vemos TV mudos.
E assim levamos nossas vidas, lógico que não posso generalizar, a começar por mim mesma, sei que sou uma pessoa extremamente sentimental, adoro demonstrar pra todos o quanto os amo e digo isso incansavelmente, em forma de cartinhas (sim ainda escrevo cartas a mão, e posto no correio), de depoimentos, por MSN, pessoalmente, eu demonstro muito, mas nem todos tem todo esse sentimentalismo cravado na pele, mas asseguro que dizer é tão bom quanto ouvir, pois eu tenho uma única certeza na vida, quem eu amo, ou eu, vamos morrer a qualquer momento, mas com a certeza que todos que eu amo sabem disso.

quarta-feira, 24 de março de 2010


Ontem estava num dia com vontade de extravasar literalmente, sabe engolir o choro e dar um sacode. Mas ai você se depara com a realidade e percebe que... Você não tem uma válvula de escape, que não há pra onde correr, que você não possui um hobby, não se apega a uma coisa se não aquela vidinha pacata e rotineira que você leva, e adora tudo bem, que isso não soe como reclamação... Adoro quando a maré ta mansa, adoro quando nada de anormal acontece. Não é fácil viver longe de tudo, e nessas horas de agitação, de turbulência nos mares da vida, você para e se depara com sua realidade, de que não possui uma coisa onde poderia se concentrar, liberar suas energias ruins, uma coisa que te de prazer e te faça esquecer por um momento a angustia, você percebe que não há uma alma viva no mundo se quer pra te ouvir, um interurbano pra sua cidade natal seria uma facada, e quando a conta viesse e você se arrependeria por cada choramingo no ouvido de alguma amiga disposta a ouvir suas lamurias.
Portanto como há muito tempo tinha o hábito de escrever, não só as lamurias lógico, escrever tudo o que agrada o que desagrada, coisas sobre o cotidiano, pra tentar extravasar aqui e não pros outros, tentar aqui controlar anseios, impulsos... Não pretendo tornar isso um diário, apenas um aconchego, colocar pra fora o que ultimamente tenho engolido a seco.